26 de abril de 2010

os mornos

Há dias fui ao um casamento religioso, celebrado como manda a tradição: igreja, vestido esbranquiçado, sermão, bênção e arroz.

No meio do sermão, dizia o sr. padre que não entendia os jovens de hoje por não gostarem de assumir compromissos, por já não namorarem, mas andarem, por não tomarem as rédeas da relação, por serem uns mornos. Uns mornos, reiterava.
Na semana passada, o PS aprova o pagamento de viagens à deputada Inês de Medeiros com os votos contra do PSD e do BE e da CDU. A aprovação foi apenas possível porque a CDS decidiu não dar a sua opinião sobre o assunto e a CDU e o PEV faltaram à reunião (?!). É de mim, ou a luta pelo proletariado já não é o que era? É de mim, ou o CDS está cada vez mais especializado em distribuir beijinhos em feiras e lotas e já se esqueceu do que é fazer parte da assembleia?
Mornos no meu vernáculo equivale a “manta morta”. Numa relação os mornos, as mantas mortas, deixam que o outro tome as decisões e, em sentido lato, o destino da relação. No governo, os mornos abstêm-se, deixam que os outros tomem decisões e, em sentido lato, governem sem oposição. Os mornos não deveriam ser pagos para tomar decisões e a abstenção não devia ser uma possibilidade.