10 de dezembro de 2006

O Natal

Neste Natal haverá onze guardanapos à mesa. Temos de decidir quem vai ser o Pai Natal. Apesar de o membro mais novo da família já ter 22 anos, precisamos sempre da presença bonacheirona do Pai Natal. Depois das prendinhas, por tradição familiar dia 24, vestimos os casacos, o cachecol e as luvas e vamos ver o Menino Jesus.

Tenho de marcar uma consulta familiar no psicólogo.
Até porque já me apetece mudar de sofá.

Os Natais de infância eram marcados pelos packs de 48 marcadores molin. Lembro-me de hesitar na escolha do verde para pintar a erva. Era, definitivamente, a parte mais feliz do Natal. Esta possibilidade de escolha entre cinco ou seis tons da mesma cor fazia-me esquecer a frustração de nunca me terem pedido para recitar um poema, para cantar uma canção ou para tocar aquela música de Natal. Acredito que há famílias que permitem este tipo de expressão artística, mas não é a minha. Deve ser por isso que temos um Pai Natal para dez adultos.

30 de novembro de 2006

Mister Cellophane

If someone stood up in a crowd and raised his voice up
way out loud
and waved his arm and shook his leg.
You'd notice him
If someone in the movie show yelled,
"Fire! In the second row! This whole place is a powder keg!"
You'd notice him
And even without clucking like a hen.
Everyone gets noticed now and then
Unless of course that person it should be
Invisible, inconsequential me....
Cellophane
Mister Cellophane
Should I bend my name
Mister Cellophane
Cause you can look right through me
Walk right by me
And never know I was there
Suppose you was a little cat residing in a persons flat
who fed you fish and scratched your ears.
You'd notice him
Suppose you was a woman wed been sleeping in in a double bed
beside one man for seven years.
You'd notice him.
A human being is made of more than air.
With all that bulk your bound to see him there.
Unless that human being next to you is...
Unimpressive, undistinguished you.
No, who....
Should I bend my name
Mister Cellophane
Cause you can look right through me.
Walk right by me
and never know I'm there..
I hope I haven't taken up to much of your time.

29 de novembro de 2006

Us, Ourselves and We

As crianças fecham os olhos na esperança de ficarem invisíveis ou na esperança que algo se torne invisível.
Os adultos fecham-se em casa ou nos blogs. Entramos no café da esquina para o cafezinho diário e evitamos não olhar os outros nos olhos, na esperança de não sermos vistos. Compramos um Ipod para não ouvir o mundo e a nossa própria consciência, ou fingimos que estamos muito ocupados a responder a mensagens urgentíssimas.
Noutros dias, saímos de casa a cantarolar qualquer coisa, uma música de Natal ou qualquer coisa de Sérgio Godinho, olhamos as pessoas nos olhos, sorrimos e somos espontâneos. E, o mais importante, esperamos encontrar alguém conhecido: o amigo de infância, aquele colega da universidade ou mesmo aquela pessoa que meteu conversa connosco no Metro.

Hoje não quero pensar
Quero ficar a ver-me no papel de protagonista
E logo hoje que até esteve um belo dia de Sol

28 de novembro de 2006

ai estes dias...

Não bebo , não fumo e, ultimamente, não fodo.
Para alimentar a alma comprei maracujás.

25 de novembro de 2006

Eu sou um bicho
como como os bichos,
rebolo na lama como os bichos,
escondo-me como os bichos se escondem doutros bichos,
caio e levanto-me como os bichos caiem e se levantam
quando são empurrados por outros bichos.
E só não cuspo como os bichos,
porque bichos como eu não cospem como bichos.


Me, myself and I

16 de novembro de 2006

O Referendo e o Aborto


Se o referendo fosse hoje votaria não. Eu sei que ninguém me perguntou nada e que o voto é supostamente secreto. Vou votar não, não por razões políticas ou religiosas, mas porque considero que a liberalização do aborto em Portugal é um capricho. Passo a explicar:
a) está regulado que em condições de má formação do feto ou em casos de violação o aborto é permitido, cabendo aos pais ou à mãe tomar essa decisão.
b) Quais são as condições e as repercussões da liberalização? Tem havido pouca informação quanto ao conteúdo da futura nova lei. Os abortos serão feitos em hospitais públicos? Serão comparticipados? As futuras não-mamãs pagarão o tempo de estadia no hospital? Os medicamentos, em caso de complicações, serão comparticipados? Serão criadas novas alas para estes casos ou simplesmente se transferem os doentes crónicos para os corredores ou para a despensa, deixando as camas vagas para as não-mamãs? Se eu fizer um aborto posso mandar o recibo para a ADSE?
Como dizia, tem havido muita desinformação, mas o poder político sabe disso e gosta que seja assim. Ir votar sem que se saibam as condições da futura lei é como pedir um cartão de crédito sem saber as condições. Passado um ano descobrimos que andamos a pagar 30% de juros e temos a casa penhorada.

Voltando à vaca fria, penso que não temos condições para legalizar o aborto. É sabido e sentido que fecharam maternidades, que existem doentes crónicos sem a devida assistência, que há listas de espera para doentes cancerígenos e para transplantes, que há doentes que não tomam toda a medicação porque não têm dinheiro para a comprar. Se querem cumprir com a proposta feita em tempos de eleições, proponham a legalização em clínicas privadas e custeadas pelas não-mamãs. Parece-me que há casos mais prioritários à espera de solução. E se o aborto se legalizar e se for custeado por todos nós contribuintes, será justo custear as inseminações artificiais e os programas de fertilidade, ou só a destruição é que é importante?
E depois ninguém engravida por acaso, ou já há relatos de gravidez por sexo telefónico? Caso não saibam o IPJ e os Centro de Saúde distribuem gratuitamente pílulas e preservativos (ainda sem sabor nem estrias, mas lá chegaremos!).

8 de novembro de 2006






Basta um olhar,
um beco,
um fio de luar.
Folhas velhas que rastejam pela calçada...
Será o nosso segredo.
Correremos pelas ruas desertas,
exorcizando os espíritos que não existem.
O mar, aqui ao lado, acaricia as rochas com uma paixão violenta
e espalha o seu calor, borbulhando na areia.
A nossa alma ficou colada nas paredes da cidade que vai amanhecendo.
Sorrimos às gaivotas que nos saúdam...
Só elas e os amantes nocturnos, os boémios, se despem de noite e despem a noite.
Ao som das músicas rústicas e desafinadas dos músicos de rua
embalamos os nossos medos.
O Sol nasce
É tempo para mais uma dança
enquanto as andorinhas nadam na brisa matinal.
Abrimos os braços e acolhemos a aurora.

Não é aqui que vivemos...
Arrastamo-nos para a realidade
Até mais uma noite...
Numa mesma cidade...


Me, myself and I

30 de outubro de 2006

Intimidade


Intimidade é beber o teu cheiro
Como se fosse da mais fina seda.
Fazer dele o arco-íris na minha alma,
sedenta de sabores aconchegantes.

Intimidade é tocar-te
sentir a minha mão como se fosse a tua
como se estivessem fundidas...
Uma na outra.

Intimidade é sorrir às tuas palavras
antes delas saírem dos teus lábios.

Intimidade é acordarmos agarrados
como se separados fosse impossível
dormir um sono de anjos.

Intimidade é fechar os olhos
e sentir o teu olhar em cada brisa da Primavera.

Intimidade é ver, no teu olhar,
uma criança que me sorri
e pede para brincar
ao faz-de-conta.

Intimidade...
não é sentir-te
mole e ansioso
para entrar dentro de mim.

Me, myself and I

24 de outubro de 2006

O Medo

Frida Kahlo - Diego and I

Domingo: mais um dia de violência doméstica.

http://jn.sapo.pt/2006/10/24/primeiro_plano/assassinada_pelo_excompanheiro.html

No apartamento ao lado, um jovem casal discute: ela grita e ele dispara palavrões e ofensas. Devem ter 20 e poucos anos.
Não compreendo o que leva uma mulher a permanecer subjugada a um animal vestido de humano. Será o medo? a fraqueza de espírito? ou a crença no amor?

17 de outubro de 2006

IV - A hipócrisia

Há determinados homens que fervem quando confrontados com a realidade gay. Este odiozinho é tão carregado de imagens macabras que me fazem lembrar a relação do marquês de Pombal com os Távora. Cá para mim, este tinha uma paixoneta não correspondida e aqueles até gostavam de experimentar!

16 de outubro de 2006

III - O Futebol

As guerras relativamente civilizadas do século XX.

Os genes de guerreiros pululam no sangue masculino. Como já não há espanhóis ou franceses a atacar a nossa cota parte de Ibéria, acabaram-se as chacinas, as ciladas à Nun'Álvares, as palmadas da Padeira. Inventou-se, então, um jogo que provoca os suguintes sintomas entre os apoiantes: perda de apetite, esbugalhamento dos olhos, irritação mórbida e noites sem sexo quando o resultado não é favorável, atitudes pró-gay no caso de vitória.

sem comentários...

II - As mensagens de teor porno

Já repararam que muitas das apresentações ou fotos enviadas entre machos acabam sempre com um grande plano do falo? Um falo?

Será que no início éramos um ser feminino com capacidades de mutação sexual, tal como as estrelas do mar? Só assim se explica o interesse especial que os homens têm pelas imagens fálicas. E não são as mensagens de conteúdo porno, são os monumentos fálicos, a fixação pela verticalidade, o dedo em riste...

A desarrumação

Das duas uma: ou os homens realmente não vêm a desarrumação que prolifera pela casa TODA ou fingem que não vêem, na esperança que a desarrumação perca o prefixo.
Temo que esta dúvida vá comigo para a próxima reencarnação.
Será que os casais homossexuais, de sexo masculino, só se apercebem que está qualquer coisa podre no frigorífico quando o delegado de saúde é chamado para embalar um suposto corpo em decomposição? Ou esta marca genética se desvanece?

4 propriedades que odeio nos homens

digo propriedades porque parecem inatas à condição masculina e, infelizmente, imutáveis e não voláteis.

12 de outubro de 2006


Do meu cubículo vejo as árvores a dançar ao sabor do vento, o sol a beijar as colinas. Desejo andar descalça na relva acabada de cortar e deixar o orvalho nascer em mim.