14 de novembro de 2007

A Outra Margem






Só depois de muita birra e de algumas semanas a ver comédias românticas, consegui ir ver A Outra Margem. Estariam vinte pessoas na sala de cinema, entre jovens e casais homo e hetero. Posso dizer que foi dos melhores filmes portugueses que vi até hoje. Diria mesmo o melhor se não tivesse razões afectivas para gostar tanto do Tentação.


Num mês em que a grande estrela do cinema luso foi o filme Corrupção, que não fui ver nem tenho intenções de ir, foi possível que A Outra Margem passasse despercebida. O facto de ter sido merecedor de um prémio internacional não foi suficiente para merecer uma pequena reportagem, à excepção da entrevista no jornal da 2: Não sei se por negligência, xenofobismo, ou porque a Carolina Salgado estava maquilhada na ante-estreia. O que sei é que A Outra Margem fala de sentimentos, da necessidade que temos de amar como de respirar e dos sacrifícios que fazemos por amor.


Na outra margem estamos todos quando somos racistas, descriminatórios, egoístas ou egocentristas, o que faz da aldeia global um rio com muitas margens.

Caetano Veloso Sozinho

Novembro e o sol brilha como se fosse Maio.

7 de novembro de 2007

Ainda Booniy e Shalimar ou Catherine e Heathcliff



"Quando Booniy Kaul e Shalimar o Palhaço se apaixonaram não precisaram de ler livros para saberem o que lhes estava a acontecer. Eram capazes de ser verem de olhos fechados, de se tocarem sem qulaquer contacto físico, de ouvirem as palavras de amor sem nada pronunciarem e sabiam sempre o que cada um estava a fazer ou a sentir mesmo estando em extremidades opostas de Pachigan, ou a dançar, a cozinhar ou a actuar longe um do outro em cidades perdidas e longínquas."



Rushdie, Salman (2006) Shalimar o Palhaço, Dom Quixote, p.313

Esta passagem lembra-me, inevitavelmente, o romance de Catherine e Heathcliff em Wuthering Heights (Emily Brontë), levado suberbamente à grande tela, numa das muitas versões, por Juliette Binoche e Ralph Fiennes.
Todos os grandes amores deviam ser assim: apaixonados, desgastantes, intuitivos, omnipresentes, bidireccionais...





3 de novembro de 2007

Leitura de cabeceira



Boonyi amava Shalimar que amava Boonyi até que casaram e Boonyi quis amar o mundo e entregou-se a Max Ophuls na esperança que ele lhe abrisse a porta do mundo. Mas não abriu. Boonyi engordou, engravidou, tiraram-lhe a filha e voltou para Caxemira gorda e, aos olhos do seu pai e do seu marido, morta.

No início da era humana, as mulheres precisavam dos homens para protecção; depois passaram a depender financeiramente deles; depois socialmente. Actualmente, algumas conseguem ser independentes financeira, social e emocionalmente. Os homens procuram novos papéis, novas "indispensabilidades", mas na Caxemira de Salman Rushdie o preço da infidelidade é a fealdade e a morte social.

Salman Rushdie até pode ser um bom escritor, mas não deixa de ter o seu quê de chauvinista, assim como eu tenho o meu quê de feminista patética.

Há pequenos sons que assentam sobre o silêncio

"Há pequenos sons que assentam sobre o silêncio"
José Luís Peixoto Cemitério de Pianos pag.161 linha 5

O silêncio é reconfortante depois de um dia atribulado e essencial quando preciso de me concentrar ou de cozinhar, mas não suporto o silêncio do outro quando precisamos de respostas ou de conforto.

O desafio foi-me lançado pelo Nélio e eu lanço-o o desafio aos seguintes bloggers:
- Daniel
- Pensamentos SGPS ,
- Alien´s Corner
- Impessoal e Transmissivel
- Braganzonia.

Boas leituras!