O Referendo e o Aborto
Se o referendo fosse hoje votaria não. Eu sei que ninguém me perguntou nada e que o voto é supostamente secreto. Vou votar não, não por razões políticas ou religiosas, mas porque considero que a liberalização do aborto em Portugal é um capricho. Passo a explicar:
a) está regulado que em condições de má formação do feto ou em casos de violação o aborto é permitido, cabendo aos pais ou à mãe tomar essa decisão.
b) Quais são as condições e as repercussões da liberalização? Tem havido pouca informação quanto ao conteúdo da futura nova lei. Os abortos serão feitos em hospitais públicos? Serão comparticipados? As futuras não-mamãs pagarão o tempo de estadia no hospital? Os medicamentos, em caso de complicações, serão comparticipados? Serão criadas novas alas para estes casos ou simplesmente se transferem os doentes crónicos para os corredores ou para a despensa, deixando as camas vagas para as não-mamãs? Se eu fizer um aborto posso mandar o recibo para a ADSE?
Como dizia, tem havido muita desinformação, mas o poder político sabe disso e gosta que seja assim. Ir votar sem que se saibam as condições da futura lei é como pedir um cartão de crédito sem saber as condições. Passado um ano descobrimos que andamos a pagar 30% de juros e temos a casa penhorada.
Voltando à vaca fria, penso que não temos condições para legalizar o aborto. É sabido e sentido que fecharam maternidades, que existem doentes crónicos sem a devida assistência, que há listas de espera para doentes cancerígenos e para transplantes, que há doentes que não tomam toda a medicação porque não têm dinheiro para a comprar. Se querem cumprir com a proposta feita em tempos de eleições, proponham a legalização em clínicas privadas e custeadas pelas não-mamãs. Parece-me que há casos mais prioritários à espera de solução. E se o aborto se legalizar e se for custeado por todos nós contribuintes, será justo custear as inseminações artificiais e os programas de fertilidade, ou só a destruição é que é importante?
E depois ninguém engravida por acaso, ou já há relatos de gravidez por sexo telefónico? Caso não saibam o IPJ e os Centro de Saúde distribuem gratuitamente pílulas e preservativos (ainda sem sabor nem estrias, mas lá chegaremos!).
a) está regulado que em condições de má formação do feto ou em casos de violação o aborto é permitido, cabendo aos pais ou à mãe tomar essa decisão.
b) Quais são as condições e as repercussões da liberalização? Tem havido pouca informação quanto ao conteúdo da futura nova lei. Os abortos serão feitos em hospitais públicos? Serão comparticipados? As futuras não-mamãs pagarão o tempo de estadia no hospital? Os medicamentos, em caso de complicações, serão comparticipados? Serão criadas novas alas para estes casos ou simplesmente se transferem os doentes crónicos para os corredores ou para a despensa, deixando as camas vagas para as não-mamãs? Se eu fizer um aborto posso mandar o recibo para a ADSE?
Como dizia, tem havido muita desinformação, mas o poder político sabe disso e gosta que seja assim. Ir votar sem que se saibam as condições da futura lei é como pedir um cartão de crédito sem saber as condições. Passado um ano descobrimos que andamos a pagar 30% de juros e temos a casa penhorada.
Voltando à vaca fria, penso que não temos condições para legalizar o aborto. É sabido e sentido que fecharam maternidades, que existem doentes crónicos sem a devida assistência, que há listas de espera para doentes cancerígenos e para transplantes, que há doentes que não tomam toda a medicação porque não têm dinheiro para a comprar. Se querem cumprir com a proposta feita em tempos de eleições, proponham a legalização em clínicas privadas e custeadas pelas não-mamãs. Parece-me que há casos mais prioritários à espera de solução. E se o aborto se legalizar e se for custeado por todos nós contribuintes, será justo custear as inseminações artificiais e os programas de fertilidade, ou só a destruição é que é importante?
E depois ninguém engravida por acaso, ou já há relatos de gravidez por sexo telefónico? Caso não saibam o IPJ e os Centro de Saúde distribuem gratuitamente pílulas e preservativos (ainda sem sabor nem estrias, mas lá chegaremos!).


3 comentários:
Apesar de concordar com algumas das tuas opiniões expressas neste post, permite-me discordar de alguns pontos:
a)"(...)legalização em clínicas privadas e custeadas pelas não-mamãs" mais uma vez não estariamos a legislar para permitir que quem tivesse condições socio-económicas poderia usufruir dos direitos e garantias de uma "cidadã", enquanto aquelas igualmente "cidadãs" que por falta de dinheiro ou por censura social iriam indubitavelmente parar ao mercado paralelo de "vão de escada" que é precisamente o que este referendo poderá evitar? Haverá porventura, neste país, "cidadãs" de primeira e segunda? A resposta é sim, há concerteza, a julgar pelos anúncios nos classificados do jornal "Publico" a anunciar clinicas de aborto do outro lado da fronteira, convenientemente acessíveis a quem tem dinheiro para as pagar, portanto aquilo que sugeres é simplesmente poupar o inconveniente a quem tem de se deslocar a Espanha, podendo fazê-lo cá? Porque sinceramente não vejo como essa medida se poderia considerar justa quando seria a capacidade financeira de cada um a determinar o usofruto de um direito universal que poderá advir do resultado deste referendo.
b) concordo contigo quando apontas um claro défice cultural e social deste país como uma condição que poderá fazer do aborto um método contraceptivo o que está errado(soube que, num desses centros de saúde, uma "não-mamã" respondeu a uma enfermeira que pretendia dar-lhe mais preservativos que "aqueles bastavam porque depois ela lavava") mas essa será uma razão para de uma maneira paternal, nós, os socialmente evoluidos e informados, votarmos não neste referendo como forma de esperarmos que na sociedade se criem as condições para que o aborto seja dado com "consentimento informado" de facto? Ou não te parece possivel que quem vote "sim" esteja igualmente preocupado com a luta por uma sociedade mais justa e informada?
c) Não vejo como se pode ter a capacidade moral ou ética para decidir (e assumo esta posição, também como profissional de saúde que sou) entre situações clínicas distintas. Se é revoltante saber que muitos paciente crónicos são empurrados para os corredores por falta de espaço, é igualmente revoltante pensar que existem "cidadãs" que morrem por cirurgias feitas em "vão de escada" e mais por complicações derivadas dessa cirurgia. Recordo o caso de uma mulher que se deslocou a uma urgência em perigo de vida derivado a complicações de uma cirurgia clandestina e foi processada porque um dos enfermeiros que a assistiu a denunciou.
P.S.- Vou votar "sim". E sim, sou homem. Mas já agora pergunto, se o pai estiver contra o aborto e demonstrar todo o interesse em criar e educar a criança será mm assim lícito permitir o aborto apenas com o consentimento da mulher?
Caro Daniel,
concordo consigo quanto as diferenças sociais e económicas que a possibilidade de abortar apenas em clínicas privadas iria gerar. Eu não sou contra o aborto. Só considero que não estamos esclarecidos quanto aos meandros desta proposta de lei.
A sua última questão é, sem dúvida, pertinente. Mais uma vez, esta lei tem de contemplar todas as possibilidades, e não sei se isso acontecerá. Como cidadãos deveríamos ser mais activos, questionar mais, impormo-nos mais e fazermo-nos ouvir, e isso não se consegue com reacções ou manifestações histéricas ou embuídas numa religiosidade cega.
Apesar de não ter idade (por muito pouco), se votasse votava sim. Contudo concordo com muito do que dizes, eu acho que isto não é uma lei que se pergunte aos portugueses Sim ou Não. Deveria ser muito mais especificado e portanto é das tais leis que só faz sentido discutir na assembleia da república. Mesmo eu, votando sim, teria alguns pontos de discordância. Qual é o direito que uma pessoa com posses e estatuto social tem de abortar, alegando apenas como justificação esse estatuto? Por outro lado sou do "sim" em relação a jovens com 18 anos, pois penso que uma gravidez para essas jovens provoca sérias consequências na vida futura, para além de que muitos pais não querem assumir as responsabilidades. E não me venhas com a de existirem pílulas e preservativos, porque apesar de em muita pequena dimensão, estes também falham.
Bom post e bom blog! Entretanto vou ver se posto sobre esse assunto...
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