16 de fevereiro de 2007

A Linha do Tua

A linha férrea do Tua é, sem dúvida, uma das obras de engenharia ferroviária mais notáveis de Portugal. Começou a ser construída em 1885, em Foz do Tua, e só seria concluída em 1906, quando chegou a Bragança. Neste momento só está activa no troço entre Foz Tua e Mirandela, por sinal o troço mais arrebatador da linha.
(JN 23-08-05)
Nos últimos dias muito se tem falado desta linha, mas pelas piores razões. E não vamos ficar por aqui, abrir-se-á um inquérito, detetar-se-ão outros problemas e, finalmente, fecharão a linha. Poderá, então, começar a construção da barragem de forma pacífica. Ficaremos com mais uma barragem, mas com menos uma linha de acesso ao interior que, década após década, tem vindo a ser encurtada. A Bragança só se chega através da IP4 e a linha só vai até Mirandela. Do Tua até Carrazeda percorrem-se estradas sinuosas e não há perspectivas de melhores acessos. Se depois do Tejo é terra de mouros, depois do Marão é terra de cidadãos-zorros.

1 comentário:

Daniel C. disse...

Isto fez-me lembrar uma coisa que escrevi há uns tempos:

Sou um provinciano, com muito orgulho, vim de atrás dos montes, com cueiros, vi matar porcos e galinhas, corri descalço, assei carne no espeto, tomei banho no rio, cavei terras, plantei árvores, limpei o ranho às mangas da camisa, bebi vinho pelo garrafão ou mesmo a sair do pipo, joguei à vermelhinha, acendi fogos, contaram-me histórias, roubei fruta, cacei pássaros, andei a pé e sorrio de cada vez que um Lisboeta fala do Portugal profundo como um portugal aprisionado na idade média... Lisboa cidade cosmopolita e europeia que tantas vezes despreza (social e politicamente) o resto do País, tem na sua justa proporção pecados e valores comuns ao resto de portugal, com a agravante de se achar superior do alto das suas colinas verdejantes, apenas por não conhecer mais nada que não seja uma realidade urbana decadente, que enferma de todas as doenças que assolam a civilização ocidental. Sou, creio eu, mais cidadão do mundo do que um desses lisboetas emproados, porque conheço os dois lados, sem me sentir melhor ou pior em nenhum deles. Mentira, em lisboa sinto sempre o incómodo que me causa a dicotomia entre aqueles que se privam e aqueles que gerem e se abastecem de dinheiro.