24 de abril de 2007

Conta-me como foi...

A RTP estava no bom caminho, uma boa grelha de programação, o melhor serviço de informação, idóneo e sem as especulações da TVI, com boas séries, até que....

"Conta-me como foi" retrata a vida e o país desde 1968, tendo como fio condutor a história da família Lopes." Até aqui é aceitável, relativamente aceitável... "Conta-me como foi" é uma série de ficção adaptada da série espanhola “Cuentame como pasó”. Mau. Aqui está algo que eu nunca percebi. Por que é que compramos guiões de progamas, telenovelas, concursos. Será que os criativos lusos são acéfalos?
"Como a original, a série portuguesa tem como objectivo retratar de forma bem humorada o ambiente socio-económico desde finais da década de 60." Bem humurado... tanto quanto sei, não era tempo para grandes paródias!

"Conta-me como foi retrata, acima de tudo, o modo de viver e pensar de uma sociedade ainda fechada sobre si, os papéis e as ambições sociais de homem e mulher, de jovens e idosos, os tabus de uma época e a gradual e desconfiada abertura a novas mentalidades.Conta-me como foi tem o objectivo de retratar, em forma de ficção, a vida e o país desde 1968; sem espírito saudosista, sem abordagens moralistas, sem juízos de valor, sem tomar partido por nenhum lado da história, sem aspirações documentalistas; com a ambição de entreter, com a vontade de mostrar e dar a conhecer o passado, com a certeza de ser uma oportunidade descontraída de recordar, rever e reviver um tempo que faz parte da história pessoal de milhões de portugueses."
Eu sei que esta série até pode ter fins didácticos, mas só me apraz dizer : Que merda é esta? Será este o último golpe do Salazar? O último pedido antes da sua queda?

6 comentários:

Daniel C. disse...

Bem que podia dar na rtp memória, mas parece que no prime time público se oferece saudosismo a quem tem saudade do tempo das virtudes públicas e vícios privados.
Esperava-se mais de uma televisão que se diz pública e que no mínimo deveria respeitar uma memória histórica fiável. Mas não, parece que se quer vender um produto que toda a gente quer: um tempo que já passou e que se redime dos seus pecados neste grande esquecimento colectivo.
Mais preocupante do que a oferta é de facto essa procura por grande parte da população de um ditador que à sua escala pouco deve a Hitler ou a Estaline.

Ainda se precisa de um 25 de abril, todos os dias...

Até lá que temos a rtp 1 a embrutecer a população com fado, futebol e fátima... ao velho e saudoso estilo de alguém que manda, bem depois de estar morto.

Excelente análise (como sempre)

Bjinhos

Different disse...

Exacto Daniel. O que mais me faz rticária nesta série é a ausência da crueza do regime totalitário. Parece que, comparado com os dias de hoje, antigamente é que era bom. Eu pergunto: e a fome? a repressão, o controlo político? as prisões? Há muitas questões que nunca foram esclarecidas. não basta fingir que os anos 50 e 60 foram os anos da rádio e do nascimento da televisão. E o resto? Portugal viveu, durante parte do século XX, o século das grandes mudanças europeias e mundiais numa espécie de comunidade Amish: família, patria e Deus (não necessariamente por esta ordem).

Anónimo disse...

sera k o realizador ou o produtor não pertenceram ao antigo regime e agora n estarão a demonstrar k esta é a forma komo viam a sociedade do regime?

SA disse...

realmente é triste que não haja mais imaginação e se recorra ainda a formatos estrangeiros. nunca vi a série mas tbém não me desperta grande curiosidade

Different disse...

Olá sa!
Grata pelo post e pela opinião.

Anónimo disse...

a meu ver a série tem interesse enquanto série de ficção. Quanto à fidelidade histórica à uma espécie de branqueamento. O entretenimento continua a importar mais que a formação dos cidadãos, daí cortar-se o que custa para não afastar o espectador que, em geral, não quer a verdade na televisão... apenas o entretenimento.