3 de novembro de 2007

Leitura de cabeceira



Boonyi amava Shalimar que amava Boonyi até que casaram e Boonyi quis amar o mundo e entregou-se a Max Ophuls na esperança que ele lhe abrisse a porta do mundo. Mas não abriu. Boonyi engordou, engravidou, tiraram-lhe a filha e voltou para Caxemira gorda e, aos olhos do seu pai e do seu marido, morta.

No início da era humana, as mulheres precisavam dos homens para protecção; depois passaram a depender financeiramente deles; depois socialmente. Actualmente, algumas conseguem ser independentes financeira, social e emocionalmente. Os homens procuram novos papéis, novas "indispensabilidades", mas na Caxemira de Salman Rushdie o preço da infidelidade é a fealdade e a morte social.

Salman Rushdie até pode ser um bom escritor, mas não deixa de ter o seu quê de chauvinista, assim como eu tenho o meu quê de feminista patética.

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